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O valor do Parques urbanos

Informações Úteis, Ordenamento do TerritórioHelena Abelha

Falar em parques urbanos não é uma novidade, longe disso. Há muito que técnicos e entidades com responsabilidades na sua conceção e gestão os referem como destacados elementos de sustentabilidade no espaço urbano. A essência desta afirmação reside a utilização ambiental, social e economicamente inteligente que é dada ao que de melhor a natureza proporciona e que permite, em termos práticos, uma valorização significativa dos recursos naturais e uma redução substancial dos custos de intervenção e de manutenção. Mas que outros benefícios lhe podem ser atribuídos?

A charmosa cidade de Portalegre onde a serra e a cidade se confundem

A charmosa cidade de Portalegre onde a serra e a cidade se confundem

Segundo Muerza (1), existem várias vantagens associadas à presença dos parques urbanos no ambiente citadino:

1 – Melhoram a saúde dos habitantes:

É hoje reconhecido que as emissões de poluentes atmosféricos podem desencadear reações diversas em pessoas de grupos sensíveis (crianças, idosos e indivíduos com problemas respiratórios), com impacte na sua saúde e qualidade de vida. A presença de árvores e outros elementos vegetais surge, neste contexto, como um importante elemento de melhoria da qualidade do ar por via da remoção e/ou “filtração” de alguns poluentes atmosféricos nocivos à saúde humana. Por outro lado, os parques constituem áreas favoráveis à prática desportiva e ao lazer, aumentando a qualidade de vida dos seus utilizadores.

2 – Ajudam a combater as alterações climáticas:

É sabido que as alterações climáticas têm impactes na vegetação que se podem manifestar à escala da espécie (taxon) ou da comunidade (sintaxon), e que advém, sumariamente, de modificações nos habitats. Mas esta é uma relação bidirecional. A vegetação também pode influenciar o panorama microclimático, sobretudo no espaço urbano onde a presença de amplas áreas verdes acarreta importantes benefícios climáticos e hidrológicos. Em termos climáticos há a destacar o seu papel na redução do efeito térmico e, consequentemente, na redução dos efeitos do calor sobre a saúde, no aumento do conforto estival e na redução do consumo de energia utilizado para o arrefecimento. Já em termos hidrológicos há a referir o seu papel no aumento da interceção e da infiltração das águas pluviais, com vantagens para a recarga de aquíferos e para a redução do escoamento superficial, dos quais resulta a redução de cheias e inundações urbanas.
3 – Constituem um refúgio para a biodiversidade:

A expansão das áreas urbanas para o território rural teve, e continua a ter, como consequências visíveis a fragmentação e a perda de habitats, com impactes mais ou menos significativos sobre a fauna e a flora locais. Mas contrariamente ao que se possa pensar, as áreas urbanas não estão despromovidas de vida silvestre. A presença de áreas abertas e dotadas de vegetação no espaço urbano e peri-urbano, nas quais se incluem os parques, providenciam abrigo e/ou alimento a animais, contribuindo, assim, para a sua permanência na cidade.

4 – Constituem um atrativo económico e turístico para a cidade:

Os espaços verdes constituem um contraponto às condições de vida em meio urbano, onde o compacto e o normativo são dominantes. A sua presença em áreas fortemente densificadas e artificializadas constitui um elemento de valorização, não apenas pelo efeito estético que está associado, mas também pelas inúmeras vantagens ambientais e sociais que acarretam, que no conjunto originam um melhor nível de vida para os cidadãos. Por outro lado, quando associados a iniciativas de relevo nos domínios ecológico e/ou ambiental, podem acarretar um significativo valor turístico e, consequentemente, económico. Um exemplo de destaque é a iniciativa “Capital Verde da Europa” promovida pela Comissão Europeia (2), que distingue as cidades que se encontram na vanguarda do meio urbano respeitador do ambiente.

5 – Consciencializam os cidadãos:

O número de pessoas que vivem nas cidades é hoje largamente superior às que vivem em áreas rurais, sendo expectável que o número de indivíduos que passa toda a sua vida em ambiente urbano tenda a aumentar. O contacto com o mundo natural é por isso efetuado através dos espaços verdes disponíveis e dos recursos intrínsecos. De modo a manter e a prolongar este contacto torna-se imperativo assegurar a conservação destes espaços, promovendo a consciência ambiental dos seus utilizadores. A forma mais salutar e lúdica de o fazer é através da vivência do próprio espaço e da aprendizagem in situ através, por exemplo, de ações de educação ambiental, que encontram nestes locais o melhor campo de desenvolvimento.

6 – Combatem a poluição sonora:

O funcionamento da cidade acarreta níveis de ruído por vezes incomodativos para a população. Na ausência de um adequado planeamento urbano, o recurso a barreiras vegetais pode ter um efeito positivo na atenuação acústica, seja por via técnica ou psicológica. De facto, alguns autores defendem que o uso de vegetação na limitação do ruído é um método possível mas pouco eficaz, com uma redução de cerca de 1 dB por 10 m de plantação. Não obstante, o efeito psicológico tem aqui uma relevância que não deve ser ignorada, pois efetivamente provoca uma diminuição da sensibilidade ao ruído relacionada com uma menor exposição visual à fonte (“as pessoas geralmente «ouvem menos» quando veem menos”) (3). Neste contexto, os parques urbanos e outros espaços verdes citadinos, por intermédio das suas manchas de vegetação, podem efetivamente dar um contributo muito significativo na melhoria da qualidade de vida da população.

7 – Favorecem a interação social:

As cidades são espaços que dificultam as relações pessoais, sem prejuízo do elevado número de pessoas que nelas vivem. São também espaços geradores de stress devido ao ritmo de vida, os quais podem originar doenças do foro psíquico e mental com consequências físicas reais. Os espaços verdes enquanto locais de encontro e de interação social, promovem um sentimento de bem-estar psicológico e uma certa amenidade face à pressão quotidiana, assim como um importante sentimento de pertença e de comunidade com vantagens coletivas. Exemplo disso são, por exemplo, as ações de voluntariado e/ou participação ativa para a recuperação e manutenção de espaços verdes que começam a surgir sob promoção de algumas câmaras municipais.

8 – Aumentam o sentimento de segurança:

Alguns estudos  demonstram que a presença dos parques urbanos e de outros espaços verdes podem ajudar a aumentar a sensação de segurança entre os residentes de áreas adjacentes e a diminuir a criminalidade e o vandalismo. De facto, a presença simultânea de vários utilizadores ajuda a transmitir a imagem de um local aprazível e de risco reduzido. Já o sentimento de pertença e de comunidade que lhes está associado contribui para reforçar a necessidade de manutenção, sem a qual não existe uma melhor qualidade de vida.

Na TTerra a sustentabilidade é um rumo que há muito assumimos. Os nossos serviços de consultadoria ambiental, de arquitetura paisagista e de ordenamento do território (link) assim o demonstram.

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(1) http://www.consumer.es/web/es/medio_ambiente/urbano/2014/02/17/219330.php
(2) http://europa.eu/rapid/press-release_IP-13-585_pt.htm
(3) https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/downloadFile/3779571241685/tecnicas_controlo_ruido.pdf