os seus recursos. os seus limites os seus recursos. os seus limites os seus recursos. os seus limites os seus recursos. os seus limites os seus recursos. os seus limites os seus recursos. os seus limites

Semana Europeia da Mobilidade – transportes e ambiente

OpiniãoCarlos Cupeto

Esta semana decorre a Semana Europeia da Mobilidade: www.mobilityweek.eu. Esta iniciativa, conta com a adesão de mais de 2000 cidades em 43 países, onde se pretendem implementar atividades para criar uma cultura de mobilidade mais sustentável. A edição deste ano de 16 a 22 Setembro, decorre sob o lema “Ar puro – É o seu movimento!

Para ilustrar esta iniciativa, escolhemos alguns artigos de opinião que iremos publicar. Esteja atento. O primeiro intitula-se: transportes e ambiente. Apresenta-se de seguida.

——————————————————-
transportes e ambiente
por Carlos Cupeto in otrosmundos.cc

O modelo de desenvolvimento em que temos participado, ao longo dos últimos anos, resulta num constante aumento do número de pessoas com viatura própria. O automóvel transformou-se no objeto de desejo capaz de satisfazer grandes aspirações. Isto é consequência, não só da melhoria das possibilidades económicas (que muitas vezes não se verifica, sendo esse um outro problema de ordem social: o endividamento das famílias), mas também da necessidade de independência de horários em relação aos transportes públicos, na maioria das vezes, insuficientes e desadequados da realidade social. Resulta também da emancipação social das mulheres, que se traduz no emprego, no leva e traz dos filhos para infantários, colégios, escolas, atividades físicas ou lúdicas.

Atualmente, muitos dos agregados familiares possuem mais do que uma viatura própria: umas vezes por absoluta necessidade, tal a independência de vidas profissionais, outras nem tanto. Identifica-se, cada vez mais, o automóvel com liberdade e o esforço de “ganhar tempo”, que raramente se traduz em “tempo livre”.

As consequências deste desenvolvimento não sustentado são inúmeras, a vários níveis, afetando a qualidade de vida. Interessa aqui considerar as consequências ambientais, na sua totalidade (?) negativas: ruído, diminuição da qualidade do ar, consumo de combustíveis fósseis (com as consequentes crises financeiras que afetam o mundo inteiro), sacrifícios de zonas não urbanizadas para construção de redes viárias, afetando espécies vegetais e animais, paisagem e solos.

Em oposição, o “marketing verde” tenta convencer-nos que a evolução tecnológica se traduz na minimização de repercussões a nível ambiental, como a construção de veículos energeticamente mais eficientes. O consumo energético, por unidade pode diminuir, mas continua a aumentar o número de unidades numa proporção muito maior, não se podendo contar sequer com uma estabilização da situação já que continuaria a não ser viável uma vez que os recursos são limitados. Torna-se evidente que a solução é só uma: reduzir a utilização do automóvel. Como? Há que adotar dois tipos de comportamento:
– Redução das necessidades de deslocação (tanto em número como em distância);
– Promover alternativas (caminhar, bicicleta, transportes públicos) e criar infra-estruturas que as suportem.

A política a adotar deverá:
– recuperar a cidade;
– favorecer a proximidade entre o lugar de residência e o trabalho;
– revitalizar o desenvolvimento comercial nos bairros, de modo a gerar emprego próximo do local de residência;
– impulsionar os meios de transporte alternativos.

Estas opções assentam em políticas de atuação coerentes, claras e bem estruturadas. Como se imagina, nada disto é fácil de implementar, nomeadamente devido à já referida distribuição espacial e social das áreas metropolitanas, da inércia dos hábitos de vida e sobretudo dos interesses instalados.

Sabemos a receita, falta aplicá-la.
——————————————————