
A eficiência energética consiste em usar menos energia para fornecer a mesma quantidade de valor energético. Do ponto de vista de um consumidor, passa pela redução dos custos de energia e/ou pela redução do consumo de energia, frequentemente com recurso a processos mais eficientes. Trata-se de uma utilização racional da energia. Os equipamentos nas habitações ou no escritório, indústrias, veículos automóveis, iluminação municipal, entre outros, consomem de alguma forma, a partirde uma fonte de energia. Atualmente, a utilização em excesso de energia de fontes de combustíveis fósseis, como o petróleo (37% do consumo), o carvão (27%), o gás natural e o urânio, contribuem grandemente para a libertação de dióxido de carbono para a atmosfera com consequências ambientais consideráveis (chuvas ácidas, aquecimento global e redução da camada de ozono). Acresce que há um, cada vez maior, valor económico associado ao consumo energético.
Sendo este domínio atualmente um dos principais eixos políticos, quer a nível europeu, quer a nível nacional, têm sido notórias a premência da utilização racional da energia, a poupança energética e a progressiva consciencialização ambiental. Ainda recentemente (11-10-2012) o Parlamento Europeu votou favoravelmente uma proposta para uma diretiva que obriga os países a renovar os edifícios públicos, com vista a uma maior eficiência energética. Quando for publicada, os 27 países membros da União Europeia terão um ano e meio para transpor esta diretiva para as leis nacionais. Estarão obrigados a renovar anualmente 3% da superfície total dos edifícios, com aquecimento ou sistema de refrigeração, detidos pelo Estado ou ocupados pela Administração Central. Serão também impostas auditorias energéticas de 4 em 4 anos às grandes empresas, bem como o objetivo de plano de poupança às companhias energéticas superior a 1,5% das vendas anuais de energia a clientes finais, tendo como meta 2020.
Por vezes, a adoção de soluções ou medidas eficientemente energéticas em edifícios pode passar por colocar um isolamento térmico de modo a consumir-se menos energia para aquecimento e arrefecimento mantendo a mesma temperatura. Também a instalação de lâmpadas económicas ou lâmpadas LED, em vez de lâmpadas incandescentes, pode permitir atingir o mesmo nível de iluminação.A instalação de painéis solares térmicos na cobertura dos edifícios pode representar uma redução de 60% no consumo de energia para aquecimento de águas sanitárias. A utilização das energias renováveis como fonte de energia para consumo das necessidades energéticas, quer de climatização como de aquecimento de águas quentes sanitárias e de piscinas é outra forma eficiente de reduzir o consumo de energia de combustíveis fósseis. Os exemplos são vários. E isto reflecte uma grande variedade de soluções no caminho da eficiência energética.
Abre-se, assim, espaço para uma maior dinâmica e rápido crescimento de serviços energéticos em Portugal. Neste contexto importa referir a auditoria energética (industrial). Consiste no estudo das condições de utilização de energia numa dada instalação e na identificação de oportunidades de melhoria do desempenho energético da mesma, de modo a reduzir o peso da componente energética nos custos globais. Normalmente é realizada por um especialista em eficiência energética (industrial) e o resultado é um relatório de auditoria onde constam as melhorias de utilização de energia. Metodologicamente, previamente à visita ao local, numa primeira etapa, procede-se a uma recolha de dados dos principais processos da empresa, consumos e custos, num dado período de tempo. Na segunda etapa, já nas instalações, procede-se à observação do estado dos principais equipamentos consumidores e distribuidores de energia e medições de parâmetros físicos. A última etapa, no escritório, consiste na análise dos dados recolhidos, e na inventariação e apresentação de MRCE, com descrição das medidas, cálculos de poupança e estimativas e investimento necessárias.
A experiência dita que, quase em todos os casos, se revela economicamente viável a longo prazo, contribuindo para a redução das emissões e promovendo a segurança energética. No entanto, a falta de incentivos e diversas barreiras económicas e não económicas, continuam a travar um desenvolvimento mais abrangente. A demonstração do bom desempenho económico é essencial para desbloquear o potencial da eficiência energética e alavancar os financiamentos privados.
Deste modo, apoia-se, as empresas a desenvolverem projetos e estratégias que contemplem a redução do consumo de energia, identificando melhorias e encontrando oportunidades de diversificação da matriz energética com fontes de energias renováveis.