Vinte anos após o Rio-92, o Rio de Janeiro voltou a ser palco, no passado mês de Junho, da Conferência das Nações Unidas Sobre o Desenvolvimento Sustentável.
Este debate, que acolheu representantes de quase duzentos países, teve como principais objectivos assegurar um compromisso político renovado para o desenvolvimento sustentável, avaliar o progresso feito até ao momento e as lacunas que ainda existem na implementação dos resultados dos principais encontros sobre desenvolvimento sustentável, e abordar os novos e emergentes desafios.
Agora, três meses após a Cimeira, pode-se concluir que, para a maioria, os resultados ficaram aquém das expectativas, que consideram que pontos importantes da agenda ambiental foram protelados, e não foram assumidos compromissos concretos, o que poderá levar à repetição dos impasses regulatórios
A principal crítica ao evento foi a ineficácia em criar o chamado Fundo Verde, avaliado em cerca de 30 mil milhões de dólares, resultado não alcançado devido à falta de adesão dos países desenvolvidos e emergentes.
Porém, apesar de tímidos, os resultados são perceptíveis: Foi dada luz verde para o aumento dos investimentos e ampliação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ao mesmo tempo que foi implementada uma agenda de discussões sobre a adopção dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, para que estes possam ser oficialmente adoptados em 2015.
Mas a maior conquista desta Cimeira foi a declaração firmada pelos quase duzentos países presentes no Rio+20, que renova o compromisso político internacional com o desenvolvimento sustentável (sendo um dos pontos principais é a redução de 1,3 bilião de toneladas de dióxido de carbono até 2030), e reafirma os princípios de 1992.
Insatisfatório para muitos, a verdade é que o Rio+20 conseguiu dar um novo ânimo a todos aqueles que lutam por um desenvolvimento sustentável.
Muito mais do que um documento assinado, a Conferência funcionou como uma mobilização e consciencialização das dificuldades que temos pela frente, mostrando que são cada vez mais aqueles que tomam iniciativas e fazem a diferença em favor de um novo modelo económico que nos leve a uma sociedade mais justa, próspera e sustentável.