Com a Agenda 21 de Mourão, o paraíso alentejano à beira do Alqueva, quer garantir um futuro melhor para as suas gentes.
Viver bem em Mourão é o objectivo.
Mourão encontra-se a estruturar a Agenda 21 Local, com o propósito de implementar e desenvolver a sustentabilidade local do Concelho. Esta é um instrumento de gestão para a sustentabilidade de um território que visa conciliar a protecção do ambiente com o desenvolvimento económico, social e cultural. Toda a comunidade não só tem o direito, mas também o dever de participar, desde as autoridades locais aos próprios cidadãos. A sustentabilidade é mais do que um objectivo a alcançar, é um processo em si mesmo, só possível com a contribuição, vontade e confiança de todos os interessados.
Mourão revela-se por excelência um concelho que tem tudo para ser sustentável, da beleza natural à riqueza do seu património, da Arte do Bem Receber à Arte do Saber-Fazer, do “amor à terra” às tradições e cultura locais. Avizinha-se pois o desenvolvimento de um futuro mouranense risonho e duradouro que trará certamente o melhor para as gerações actuais e futuras.
Mourão e a sustentabilidade
Mourão é um concelho raiano da margem esquerda do Rio Guadiana, recentemente transformado no maior lago artificial europeu, situando-se a apenas 56 km de Évora, um dos grandes centros urbanos de Portugal. A sua privilegiada localização geográfica é um dos pontos fortes para uma estratégia de sustentabilidade local. É um concelho cujo património natural, único e rico na sua biodiversidade nomeadamente ao nível dos habitats naturais – montados de azinho, campos de cultivo de olivais e vinhas –constitui uma das regiões mais bem conservadas do nosso país e de maior importância para a fauna. A especificidade da região compreendida entre Mourão, Moura e Barrancos valeu-lhe em 1999 a classificação como Zona de Protecção Especial de Aves (ZPE), incluída na Rede Natura 2000. É nesta zona que uma parte muito relevante de espécies de animais ameaçadas, como algumas aves estepárias e diversas espécies de morcego, encontram abrigo. A Estação Biológica do Garducho em Mourão, inaugurada em 2009, tem vindo a oferecer uma componente educativa neste âmbito, pretendendo nomeadamente salvaguardar os valores naturais da região inserida na referida ZPE. Mourão constitui ainda uma das áreas prioritárias para a conservação do Lince-ibérico (Lynx pardinus) em Portugal, existindo já diversos projectos no sentido de recuperar o habitat desta espécie. Por outro lado, as condições criadas pela albufeira do Alqueva, cujas águas banham actualmente parte do território de Mourão, criaram ainda um novo habitat que tem proporcionado o aparecimento de numerosas espécies de aves aquáticas, anteriormente menos frequentes nesta zona. Além do seu objectivo principal como reserva estratégica de água, a albufeira veio também permitir a promoção de actividades de diferentes naturezas, como os desportos náuticos e a pesca, por si só, importantes potenciadores de procura turística. Devemos recordar que a biodiversidade é um fabuloso recurso cada vez mais valorizado e procurado. Em 2010 comemora-se o Ano Internacional da Biodiversidade.
A abundância de recursos naturais do concelho tornou ainda o seu povo bom entendedor na Arte do Saber-Fazer, destacando-se nos ofícios e produtos tradicionais. São exemplos o vinho, néctar famoso da Cooperativa Agrícola de Granja, o azeite e a azeitona, incluindo também vários produtos com Denominação de Origem Protegida (DOP), como o Queijo de Évora e o Mel do Alentejo. A gastronomia local é sublimada pelo pão com azeitonas, os queijos e enchidos, a doçaria e os pratos típicos da região, como a tradicional Sopa de Cação e o Cozido de Grão. O artesanato é aqui representativo do conjunto de valores e cultura mouranenses, traduzindo-se nos trabalhos de cestaria e esteiraria, rendas e bordados, jogos tradicionais, instrumentos musicais e ervas curativas, entre outros. É um concelho igualmente rico em festas e romarias, cujas festividades culminam na Festa de Nossa Sr.ª das Candeias, feriado municipal, que não só reúne os residentes do Concelho, como também atrai muitos mouranenses emigrantes e turistas que curiosamente se tornam assíduos da comemoração, após uma primeira experiência.
O património edificado é também um dos principais encantos turísticos do município. A visita ao Castelo de Mourão, ex-líbris do concelho, traduz-se numa experiência sem igual, resultante da beleza e tranquilidade inerentes à paisagem que interessa preservar e valorizar. Situando-se na parte mais alta da vila, esta fortaleza permite observar a Noroeste o Castelo de Monsaraz e a Este a vizinha Espanha. Aqui, o abraço do grande lago do Alqueva faz-se ver um pouco por toda a parte, espelhando o céu azul e as margens verdejantes das terras de Mourão.
Mourão e a Agenda 21 Local
O município de Mourão encontra-se, presentemente, na fase final de elaboração do Diagnóstico para a Sustentabilidade que consiste em identificar as principais fragilidades versus potencialidades de desenvolvimento do Concelho. Neste documento, serão ainda integrados os contributos dos agentes locais resultantes de sessões de trabalho a serem realizadas brevemente pela Câmara Municipal de Mourão. Está ainda em curso a promoção de um concurso para a criação do logótipo da Agenda 21 Local de Mourão cujo público-alvo são os alunos das escolas do ensino básico do Concelho, pretendo-se assim o envolvimento e sensibilização dos mais novos. A participação da população é pois um elemento chave e por isso fundamental para o êxito da Agenda, e é neste sentido que os habitantes serão também convidados a participar em várias fases do projecto.
A implementação da Agenda 21 Local de Mourão tem como proponente a AMDE, Associação de Municípios do Distrito de Évora, actualmente designada por CIMAC – Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, cuja proposta foi colocada aos 12 municípios associados. O projecto conjunto dos municípios participantes teve início em Outubro de 2009 e terminará em Outubro de 2011.
Como surgiu a Agenda 21 Local
A Agenda 21 Local teve origem em 1992, no seguimento da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento – a Cimeira da Terra, que originou o programa global para o desenvolvimento sustentável. Em 2007, surge em Portugal a Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS 2015) e o respectivo Plano de Implementação (PIENDS), propondo a Agenda 21 Local como uma das medidas a implementar.
A Agenda 21 Local constitui uma ferramenta vital a aplicar localmente, permitindo a participação e envolvimento de todos os parceiros interessados. É uma estratégia apoiada num diagnóstico da situação de referência para a sustentabilidade e em indicadores que garantam uma monitorização realista, de forma a configurar soluções para os problemas encontrados e a atingir as aspirações locais a longo prazo.